Não que eu tinha ciumes do beijo, mas eu de certa forma honrosa estava preso a ele. Me senti naquele beijo, como um pedaço meu aberto em carne viva ainda estivesse a tocar aquilo tudo, e que tudo não passava de tesão. Acreditar, essa é a palavra, o verbo, eu me acreditei dentro de um lugar onde a carne não tocava, onde o tesão mundano não me afetava.
Pegou de um lado, reencostou-o na parede e como numa falta de ar o engoliu de todo prazer, mas eu sentia por dentro, ele brilhava, mas o sufoco, a sede que ele tinha não passava. Como que se bebera da água destilada que não faz efeito algum.
E as golas se apertavam, a bebida corria seca na boca amarga e o que apenas se ouvia eram estralos,
e eu reluzia mais forte.
A.ribeiro
segunda-feira, 27 de julho de 2009
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